Origens

        São Gonçalo do Rio Abaixo é um município pertencente à Zona Metalúrgica de Minas Gerais, distante 84 Km da capital do estado, Belo Horizonte, pela Rodovia BR 381. Pertencia, anteriormente, ao município de Santa Bárbaram e era um de seus povoados mais prósperos. Devido às suas condições privilegiadas, e ao trabalho de um grupo de idealistas, filhos da terra, que realizaram uma campanha intensiva junto às autoridades estaduais, adquiriu a sua emancipação política, e passou a existir como município, a partir da Lei nº 2764, de 30 de dezembro de 1962.
        As fontes históricas mais antigas da localidade estão ligadas às informações religiosas sobre a Igreja da Matriz, cuja documentação datava de 1733, supondo-se, portanto, que o arraial seja anterior a essa data. Na segunda década do século XIX,a comitiva de Dom Frei José da Santíssima Trindade, por ocasião das visitas pastorais, esteve em São Gonçalo. Registrou que o povoado pertencia à Freguesia de Santa Bárbara, com a invocação de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara, a nove léguas de Mariana e oitenta da Corte do Rio de Janeiro do Termo da Vila de Caeté,Comarca de Sabará, com 12697 almas de lotação cobrável com a côngrua de 1:800.000.
        "A Capela Curada de São Gonçalo do Rio Abaixo possuía 1159 almas. Nela crismou Sua Excelência Reverendíssima, em outubro de 1821, a mais de mil almas, mas calculava-se ter 200 almas, com pouca diminuição."
         Além da documentação do século XVIII, o Senhor Cônego Júlio de Paula Dias Bicalho, escrivão da Câmara Eclesiática do Bispado de Mariana, tece as seguintes considerações: o Almanaque Oficial da Província de Minas, relativo ao ano de 1855, organizado pelo Governo da Província através de A. de Assis Martins e J. Marques de Oliveira, registra nas páginas 180 e 181, que neste ano a Freguesia e Distrito de São Gonçalo constituía-se de uma povoação de 155 casas no núcleo do arraial, e 182 fazendas, com aproximadamente 300 casas.
          Segundo a historiadora e professora Iêda Pessoa Costa de Carvalho, em pesquisa realizada sobre o Povoado de São Gonçalo do Mato Dentro, em 1727 já havia a Capela de São Gonçalo do Rio Abaixo, localizada à Rua Monsenhor Torres, na antiga Porteira Grande. Sabe-se que era coberta de sapé, e à sua volta localizava-se o cemitério.
          Algumas famílias inscrevem-se nas origens do povoado como: José de Olanda Braga, que em 1723 doou o terreno para a construção da Igreja Matriz. O terreno dividia com as terras do Sr. José Henrique Carumbira;  Manoel Teixeira Borges, que em 1758 tinha carta de sesmaria; Capitão Manoel Antônio Teixeira Borges Aranda, proprietário da Fazenda do Faria e da parte de cima da Fazenda do Tamanduá, no século XVIII; Alferes Francisco de Faria Brito, que em 22/10/1733 adquiriu grande extensão de terras de Manoel João de Sá.
         Pode-se afirmar, portanto, que do alto da Serra do Catungui, mais de três séculos possibilitaram o registro de uma história de sacríficios, lutas, poeira e conquistas ao longo de uma caminhada de heróis muitas vezes anônimos, cujo amor pelo solo natal concretizou o sonho da lenta construção de São Gonçalo do Rio Abaixo do Mato Dentro.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CARVALHO, Iêda Pessoa Costa de. Rio Abaixo do Mato Dentro - Ecos da colonização até 1980, em 300 anos de encruzilhadas.Cuatiara: Belo Horizonte, 2007.
Livro de Registro da Biblioteca Pública Municipal "Prof. Joseph Blonski", pág.02.
Inventário de Proteção do Acervo Cultural, PAC/MG.,Prefeitura Municipal,1997,pág 01.



            


      

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