Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante
A Igreja Matriz de São Gonçalo do Rio Abaixo está intrinsecamente ligada
à formação do núcleo urbano da sede do município. Foi construída
justamente por estar a antiga capela em local inapropriado, considerando
as tendências de urbanização naquele momento (década de 1730).
Posteriormente passou a se constituir em referência cultural da cidade,
além de obviamente, religiosa. Não por acaso, seu adro foi escolhido
pela comunidade para abrigar o cruzeiro do qual a municipalidade se
orgulha.
A Igreja Matriz está implantada no ápice da região do município. Seu
entorno, cujas ruas são em paralelepípedo, caracteriza-se por
construções residenciais e poucas comerciais de no máximo dois
pavimentos. Essa configuração propicia maior destaque à Igreja. Assim, o
bem exerce imponência na paisagem, situação apropriada histórica e ideologicamente.
A edificação situa-se num adro e em forte aclive, composto por um
cruzeiro, jardins coreto e chafariz. Sua amplitude espacial urbana
favorece sua utilização pública e religiosa, acentuando a dinâmica
cultural que se desenvolveu ao seu redor.
Cruzeiro da Matriz
O monumento, símbolo do cristianismo, fica no adro da Igreja Matriz. Na
haste central e nas traves laterais carrega símbolos que contam partes
do calvário de Jesus. O "galo" lembra a negação do apóstolo Pedro,
prenunciada por Cristo e marcada pelo canto da ave; a inscrição
"I.N.R.I." significa Jesus Nazareno Rei dos Judeus, e latim; o "cálice"
simboliza a oração de Jesus ao Pai, horas antes de ser crucificado pela
salvação da humanidade; os dados aludem ao costume da época, em que os
despojos dos condenados eram disputados na sorte pelos soldados.
Igreja Nossa Senhora do Rosário
Embora não tenha sido encontrada documentação que estabeleça com
precisão a data de fundação da Igreja Nossa Senhora do Rosário, é
possível estimar sua construção nas primeiras décadas do século XVIII.
Evidências disso são: a talha de seus três retábulos, enquadrado no estilo D. João V, introduzindo em Minas por volta de 1720/30, onde prevaleceu até por volta de 1760.
Há evidências arquitetônicas da alteração do edifício ao longo de sua
existência, a exemplo do chanfro de sua fachada principal, típico do
século XIX.
Em 1821, as visitações de Dom Frei José da Santíssima Trindade
registraram as seguintes impressões sobre a capela: no arraial tem
capela de Nossa Senhora das Mercês e do Rosário, a qual é pobre, porém
tem decência e limpeza nos ornamentos com três altares.
No final do século XIX, o vigário Manoel da Silva Torres empreende a
reedificação da Capela de Nossa Senhora do Rosário. Várias campas e o
assoalho se encontravam podres, sendo as primeiras supridas e o segundo
renovado. A capela possuía então, um muro na frente e o adro era
utilizado como cemitério.
A tradição oral atribui a ereção da capela aos sujeitos cativos que habitavam o arraial no século XVIII.
A Igreja Nossa Senhora do Rosário teve, no momento de sua formação, o
caráter de dar acesso às praticas rituais católicas aos extratos
socialmente desfavorecidos da população local. Sua própria arquitetura é
que a da Matriz, e seus primeiros públicos foram cativos.
Posteriormente, a igreja integrou-se à vida religiosa comunitária e ao
calendário religioso local, constituindo uma referência cultural em São
Gonçalo do Rio Abaixo. Está inserida em adro no centro histórico da
cidade. O adro e praticamente plano, apresentando pequena declividade,
perceptível através da baldrame de pedra lajeada aparente na parte
posterior da igreja.
Do ponto de vista arquitetônico, a planta é composta por dois
retângulos, um correspondente à nave, chanfrada na fachada principal, e o
outro delimita a capela mor e a sacristia. O chanfro da fachada
principal determina três acessos à Igreja e é característico da
arquitetura bastante difundida no século XIX.
Igreja Santa Efigênia
A Igreja de Santa Efigênia é preferencialmente conhecida pela população
de São Gonçalo do Rio Abaixo como a "Igreja do Padre João". De fato,
quando já completava 50 anos de sacerdócio em São Gonçalo, o padre João
José Marques Guimarães, prevendo sua aposentadoria, quis para si uma
ultima morada na cidade na qual escolhera viver, bem como um templo onde
pudesse celebrar, depois que já tivesse sido oficialmente substituído
pela igreja. Assim fez construir uma casa e ao lado dela uma capela que
muito lembra a de Nossa Senhora do Rosário.
A nova igreja foi construída através do trabalho voluntário da comunidade e inaugurada em 1946.
O que justifica a preservação da Igreja de Santa Efigênia não é
portanto, sua originalidade arquitetônica ou antiguidade, mas o fato de
que constitui uma manifestação material da memória coletiva, dotada de
grande valor para os sujeitos que se esmeram em sua preservação ,
independente de uma determinação oficial para que isso seja feito.
A Igreja de Santa Efigênia construída em meados do século XX, é uma
construção que registra a releitura popular da arquitetura da Igreja
Nossa Senhora do Rosário.
Apresenta um pequeno adro, localizado no topo de uma colina, possui uma
rampa de inclinação acentuada de acesso à porta principal,
referenciando também a implantação das igrejas de leitura barroca em
Minas Gerais.
Casa Paroquial
Belo exemplar da arquitetura colonial setecentista, a edificação de
partido retangular foi erguida no alinhamento da rua. A casa tem
estrutura de madeira e vedação de adobe e pau-a-pique. As janelas
simetricamente dispostas com enquadramento de madeira e vedação de
caixilhos de vidro são detalhes que enriquecem o projeto. O sobrado de
dois pavimentos sofreu alterações como o volume da garagem vedado por
gradil.
Igreja de São Sebastião
A igreja implantada em um adro gramado foi construída em alvenaria de
tijolo com cobertura cerâmica. Destaque para o coro protegido por
balaustres de madeira. Do cruzeiro, elemento mais significante do
entorno, feito de madeira maciça e com símbolos da Paixão de Cristo,
restou somente a base da ruína em pedras.
Fonte:
http://www.saogoncalo.mg.gov.br/mat_vis.aspx?cd=6547






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